O site Medscape trouxe uma reportagem sobre um estudo recente realizado no Reino Unido que analisou suplementos de venda livre com possíveis efeitos no tratamento da depressão. Entre os compostos mais citados estão ácido fólico, lavanda, zinco, triptofano, rhodiola e erva-cidreira. Os pesquisadores apontam que as evidências são “limitadas, mas promissoras”, sugerindo a necessidade de estudos mais aprofundados, especialmente como adjuvantes a terapias já consolidadas, como medicamentos antidepressivos e psicoterapia (Medscape).
Apesar do interesse, especialistas alertam para a falta de dados robustos. Glyn Lewis, professor de psiquiatria epidemiológica no University College London, destacou que os ensaios clínicos disponíveis são pequenos e pouco confiáveis. Ele não recomenda o uso desses produtos sem acompanhamento médico, ressaltando que pacientes podem atrasar o acesso a tratamentos eficazes caso confiem apenas em suplementos.

A pesquisa, publicada na Frontiers in Pharmacology, incluiu 209 ensaios clínicos randomizados, mas não avaliou a qualidade de cada estudo. Para Rachael Frost, autora principal, o objetivo foi mapear a literatura e não chegar a conclusões definitivas. Outros especialistas, como a professora Stella Chan, reforçam que revisões narrativas não substituem metanálises e podem levar pacientes vulneráveis a interpretações equivocadas.
Outro ponto levantado é o risco do desperdício de tempo e dinheiro. Segundo Joseph Firth, professor de psicologia e saúde mental na University of Manchester, futuras pesquisas deveriam considerar intervenções nutricionais personalizadas, já que a resposta a suplementos pode variar muito entre indivíduos com o mesmo diagnóstico de depressão.
Apesar das limitações, os cientistas não descartam o potencial dos suplementos no futuro. Contudo, todos concordam que, até o momento, não há evidências suficientes para recomendá-los como alternativa aos tratamentos convencionais. O consenso é claro: qualquer pessoa em sofrimento deve buscar orientação médica e considerar abordagens baseadas em evidências (Medscape).
Fonte: Medscape