A organização britânica Macmillan Cancer Support emitiu recentemente um alerta para pacientes com câncer sobre o uso de medicamentos antiobesidade injetáveis, como os agonistas do receptor de GLP-1. A instituição destacou a necessidade de cautela, já que muitas pessoas passaram a enxergar esses fármacos como “soluções rápidas” para perda de peso, após ampla divulgação na mídia. Embora a obesidade seja um fator de risco para vários tipos de câncer, especialistas ressaltam que ainda não existem evidências suficientes para recomendar esses medicamentos como aliados no tratamento oncológico, segundo reportagem do site Medscape.

Pesquisas recentes apontam achados conflitantes. Um estudo israelense, publicado na Lancet eClinical Medicine, mostrou que os pacientes que utilizaram agonistas do GLP-1 tiveram taxas de câncer relacionadas à obesidade semelhantes às de pessoas submetidas à cirurgia bariátrica, apesar da perda de peso maior entre os operados. Os autores sugerem que esses medicamentos possam atuar por outras vias, como redução da inflamação ou melhora da resposta imune. Já outras pesquisas levantaram preocupações quanto a riscos adicionais, especialmente relacionados ao câncer de tireoide e, em menor escala, ao de pâncreas.

Metanálises e estudos de coorte vêm apresentando resultados distintos sobre esses possíveis riscos. Enquanto uma revisão italiana apontou aumento moderado no risco de câncer de tireoide, um estudo escandinavo não encontrou associação significativa após quase quatro anos de acompanhamento. A incerteza reforça a necessidade de ensaios clínicos de longo prazo para esclarecer melhor os efeitos desses medicamentos em pacientes oncológicos.

A Macmillan também relatou aumento nas consultas on-line e ligações de pacientes preocupados com o uso desses fármacos durante tratamentos como quimioterapia e terapia hormonal. Segundo o Dr. Owen Carter, consultor da instituição, ainda não há dados conclusivos, mas existe a possibilidade de que os medicamentos interfiram na absorção de outros fármacos, prejudicando a eficácia do tratamento do câncer. Por isso, ele alerta contra o uso sem prescrição médica e destaca a importância de associar qualquer intervenção a hábitos de vida saudáveis, como alimentação equilibrada e prática de atividade física.

Outro ponto de preocupação é a compra de medicamentos antiobesidade pela internet em fontes não regulamentadas. A Macmillan alerta para riscos de falsificação e efeitos colaterais graves, como náuseas, vômitos, diarreia, fadiga e até falhas contraceptivas, que podem gerar complicações adicionais para pacientes oncológicos. A mensagem da organização é clara: antes de iniciar o uso desses medicamentos, é fundamental conversar com um médico e evitar soluções rápidas que podem colocar a saúde em risco (Medscape).

Fonte: Medscape

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