O estudo Fulda NutriNAIL amplia o olhar sobre algo que, até então, era mais associado à toxicologia: as unhas. Tradicionalmente usadas para detectar exposição a substâncias químicas, elas agora surgem como potenciais “arquivos biológicos” capazes de refletir hábitos alimentares e estilo de vida ao longo do tempo. Publicado no periódico BioFactors e coordenado pelo Dr. Marc Birringer, da Hochschule Fulda (Alemanha), o estudo sugere que o perfil mineral das unhas pode se tornar uma ferramenta clínica complementar na avaliação nutricional.

A pesquisa analisou 184 adultos entre 18 e 83 anos. Amostras de unhas foram submetidas à espectrometria de massa, técnica altamente sensível para identificar oligoelementos em concentrações muito baixas. Paralelamente, os participantes responderam questionários sobre alimentação, uso de suplementos, doenças e estilo de vida. A maioria era onívora, mas havia vegetarianos e veganos, e 75% relataram utilizar suplementos alimentares.

Os resultados mostraram que as concentrações minerais nas unhas permanecem relativamente estáveis por cerca de 5,5 meses, reforçando sua utilidade como marcador de exposição prolongada. Entre as associações mais relevantes, destacou-se o selênio: indivíduos que suplementavam apresentaram níveis cerca de 21% mais altos. Veganos que não utilizavam suplemento tinham níveis aproximadamente 11% menores que onívoros, enquanto pescetarianos tendiam a apresentar valores mais elevados, possivelmente devido ao consumo de peixes, ricos nesse mineral.



O estudo também encontrou correlações entre minerais, como cálcio e magnésio, cálcio e fósforo, e sódio e potássio — este último par com forte relação proporcional. Alterações visíveis nas unhas também mostraram associações interessantes: unhas quebradiças foram ligadas a níveis mais baixos de potássio; estrias longitudinais associaram-se à redução de sódio e potássio; e leuconiquia apresentou possível relação com níveis mais baixos de cromo, embora ainda sem significado clínico definido.

Outro dado curioso foi a concentração mais alta de selênio em participantes com doença tireoidiana, o que pode refletir orientação alimentar específica ou fatores metabólicos.

Como comentarista, considero que o estudo abre caminhos promissores para a nutrologia e a prevenção. Embora ainda sejam necessários mais estudos para consolidar a aplicabilidade clínica, a análise das unhas se apresenta como método simples, incruento e potencialmente valioso para monitorar estado nutricional e exposição a minerais ao longo do tempo.

Artigo de Michael van den Heuvel

Leia o artigo completo: Medscape

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