A menopausa e o climatério trazem impactos que vão além dos sintomas físicos clássicos. Alterações cognitivas, distúrbios do humor e problemas de sono são queixas frequentes, embora ainda pouco discutidas. A chamada “névoa mental” (brain fog) é um dos relatos mais comuns, envolvendo dificuldade de concentração, esquecimentos, perda de palavras e distração. Essas mudanças ganham maior relevância atualmente porque muitas mulheres permanecem ativas profissional e socialmente por mais tempo, percebendo com mais intensidade qualquer alteração no desempenho cognitivo.

O declínio do estrogênio, especialmente do estradiol, tem papel central nesses sintomas. O hormônio atua em regiões cerebrais como o hipocampo e o córtex pré-frontal, fundamentais para memória e funções executivas, além de influenciar neurotransmissores como serotonina, dopamina e GABA. Durante a transição menopausal, as flutuações hormonais afetam esse equilíbrio, podendo prejudicar principalmente a aprendizagem verbal e a memória. Em geral, essas alterações são sutis e transitórias.



Muitas mulheres temem que os sintomas sejam sinais precoces de demência, como Alzheimer. No entanto, entidades internacionais ressaltam que demência antes dos 64 anos é rara. Diferentemente do declínio progressivo observado nas demências, o brain fog não costuma comprometer a autonomia funcional. Quando necessário, testes cognitivos como MMSE e MoCA podem auxiliar na avaliação, e casos suspeitos devem ser investigados de forma abrangente.

A menopausa também representa uma janela de vulnerabilidade para ansiedade e depressão. Mulheres com histórico prévio têm maior risco de novos episódios. A depressão associada ao climatério pode apresentar irritabilidade, labilidade emocional, fadiga, alterações cognitivas e distúrbios do sono, além de tristeza. Fatores psicossociais, como mudanças na identidade e na dinâmica familiar, podem intensificar os sintomas.

Os distúrbios do sono são altamente prevalentes e tendem a piorar na perimenopausa e menopausa, influenciados por fogachos, sudorese noturna e alterações hormonais. A privação de sono, por sua vez, agrava sintomas cognitivos e emocionais.

O tratamento deve ser individualizado. A terapia hormonal não é indicada exclusivamente para queixas cognitivas, mas pode melhorar sintomas vasomotores e, indiretamente, o sono e a cognição. Para depressão e ansiedade, utilizam-se antidepressivos (ISRS e ISRN) e terapia cognitivo-comportamental. Intervenções não farmacológicas, como atividade física, também mostram benefícios. Com informação adequada e cuidado individualizado, é possível preservar qualidade de vida nessa fase.

Artigo de Giuliana Miranda

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