Celebrado em 13 de agosto, o Dia Internacional do Canhoto chama a atenção para cerca de 10% da população mundial, que utiliza preferencialmente a mão esquerda para escrever e realizar diversas atividades. Durante muito tempo, ser canhoto foi motivo de preconceito e até de tentativas de “correção”. Hoje, a ciência reconhece que a lateralidade é uma característica natural do desenvolvimento humano, influenciada principalmente por fatores genéticos e pela forma como o cérebro se organiza ainda durante a gestação.

Nosso cérebro é dividido em dois hemisférios, que trabalham em conjunto, mas possuem algumas especializações. Em pessoas destras, a linguagem costuma estar concentrada principalmente no hemisfério esquerdo. Entre os canhotos, essa organização é mais variável: embora muitos também apresentem predominância do hemisfério esquerdo para a linguagem, uma proporção maior utiliza o hemisfério direito ou distribui essa função entre ambos os lados do cérebro. Essa diferença não representa vantagem nem desvantagem; trata-se apenas de uma variação natural da espécie humana.



Do ponto de vista da saúde, ser canhoto não é uma doença nem aumenta, por si só, o risco de desenvolver problemas médicos. O maior desafio costuma ser viver em um mundo planejado para destros. Tesouras, carteiras escolares, abridores de lata, instrumentos musicais e até equipamentos de trabalho podem exigir adaptações, favorecendo desconforto, má postura e lesões por esforço repetitivo quando utilizados por canhotos sem a ergonomia adequada. Felizmente, a oferta de produtos adaptados e a conscientização sobre a diversidade de lateralidade têm crescido nas últimas décadas.

Embora alguns estudos tenham encontrado pequenas diferenças estatísticas entre destros e canhotos em determinadas habilidades cognitivas ou na frequência de algumas condições neurológicas, essas associações são fracas e não permitem afirmar que uma pessoa será mais inteligente, mais criativa ou mais propensa a doenças apenas por ser canhota. A grande maioria dos canhotos leva uma vida absolutamente normal e saudável. O mais importante é garantir ambientes inclusivos, que respeitem essa característica natural e permitam que cada pessoa desenvolva seu potencial sem barreiras.

A mão que escreve pode ser diferente, mas a capacidade de aprender, criar e transformar o mundo não depende do lado escolhido, e sim das oportunidades que cada pessoa recebe ao longo da vida.

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